SOBRE NÓS
NOSSA HISTÓRIA
Antes de ser hotel, este lugar já guardava histórias grandes
Muito antes das piscinas, da recreação e da Casa da Roça, esta terra já vivia outras vidas. Ela nasceu como fazenda de café, num tempo em que essa região do interior do Rio de Janeiro — hoje conhecida como Vale do Café — vivia o auge do ciclo cafeeiro, com Vassouras como um dos seus grandes núcleos. É dessa época que vem a escala da propriedade, as construções antigas e aquela atmosfera de fazenda que ainda se sente ao caminhar pelo terreno.
O médico que escolheu terminar seus dias aqui
Antes de se tornar hotel, a Fazenda Santa Bárbara pertenceu a Belisário Penna — médico, sanitarista, cientista e uma das figuras mais importantes da história da saúde pública brasileira. Penna trabalhou ao lado de Oswaldo Cruz, participou de expedições científicas pelo interior do Brasil e dedicou a vida à defesa do saneamento rural e ao combate às endemias, numa época em que cuidar da saúde da população ainda era uma bandeira que poucos ousavam levantar com tanta força.
Depois de se afastar da vida pública, Belisário Penna escolheu viver seus últimos anos aqui, na Fazenda Santa Bárbara. Segundo pesquisa da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, ele passava os dias caminhando pelas montanhas, trabalhando numa oficina particular, pintando charretes e colhendo verduras — uma vida simples, no ritmo da terra. Foi nesta propriedade que ele morreu, em 4 de novembro de 1939, aos 70 anos.
Há algo bonito em saber que, décadas antes de se tornar um lugar de descanso para famílias inteiras, este já era um lugar escolhido para descansar — por um homem que dedicou a vida a cuidar dos outros.
A fase dos jesuítas e o Seminário Aloisianum
Depois da fase de Belisário Penna, a propriedade passou a pertencer à Ordem dos Jesuítas e ficou ligada ao Seminário Aloisianum e ao Colégio Santo Inácio, no Rio de Janeiro. Por décadas, a fazenda teve uma vocação religiosa, educacional e formativa: foi aqui que gerações de seminaristas viveram, estudaram e se prepararam para seguir seus caminhos pelo mundo.
É dessa fase que vem o maior tesouro arquitetônico do Santa Bárbara: nossa igreja histórica, construída na década de 1940. Ela tem altar em mármore de Carrara e vitrais franceses pintados à mão — retratando diretores, padres, educadores e famílias que ajudaram a construí-la, além de uma representação de Nossa Senhora Aparecida. Quando o sol da manhã entra por esses vitrais, o efeito é o tipo de coisa que ninguém consegue descrever direito antes de ver com os próprios olhos. A igreja segue viva até hoje: recebe missas, casamentos, batizados e celebrações, sempre com a magnitude de um espaço que já tem mais de oitenta anos de história.
O prédio principal — a sede onde hoje ficam a maior parte dos apartamentos — foi inaugurado no início da década de 1960, erguido com contribuições e doações. Antes disso, os primeiros seminaristas usavam os casarões mais antigos da fazenda. Originalmente, o prédio não tinha o terceiro andar que existe hoje, e os banheiros eram coletivos, um por andar — bem diferente da configuração hoteleira atual. É por isso que, mesmo depois de todas as reformas, os apartamentos do Santa Bárbara não são todos idênticos: eles nasceram de um edifício histórico, adaptado ao longo do tempo, e não de uma planta pensada originalmente para ser hotel.
Antes de virar hotel, essa estrutura também serviu como colônia de férias para alunos ligados ao Colégio Santo Inácio — mais uma camada da vocação deste lugar para reunir gente, para a convivência e para o contato com a natureza, que atravessa todas as fases da nossa história.
1984 — o dia em que este lugar escolheu ser hotel
Em 1984, a propriedade foi adquirida por uma família e transformada no Hotel Fazenda Santa Bárbara. Foi o início de uma nova fase — mas o espírito de receber pessoas, que já vinha desde os tempos do seminário e da colônia de férias, seguiu o mesmo.
Duas décadas depois, chegou a vez da geração seguinte dessa mesma família dar continuidade a essa história — e foi com muito entusiasmo e força de vontade que ela conseguiu realizar transformações significativas em toda a estrutura do hotel. Ainda sem experiência hoteleira formal, essa nova geração apostou tudo: reformar o hotel quarto por quarto, com as próprias mãos e com muita determinação. Parceiros e fornecedores que acreditaram na administração foram essenciais para viabilizar boa parte dessa reestruturação, iniciada em 2005. E cada compromisso assumido foi cumprido.
Esse momento é o que define o valor que sustenta o Santa Bárbara até hoje: credibilidade é entregar o que se promete. Mais de vinte anos depois, é esse mesmo compromisso que faz a maioria das nossas reservas virem direto de quem já esteve aqui — sem intermediário, sem letra miúda, só a confiança de quem sabe o que vai encontrar.
Reconhecido — mas sempre com os pés no chão
Esse trabalho não passou despercebido. O Hotel Fazenda Santa Bárbara já apareceu entre os melhores hotéis fazenda do Brasil em quatro edições seguidas do Prêmio Melhores Destinos — incluindo o 2º lugar na edição 2024/2025, em votação popular com mais de 28 mil participantes — e venceu, em 2023, a categoria Empreendedorismo do Prêmio Eduardo Tapajós, do Top Hotel RJ, que reconheceu justamente essa trajetória: a recuperação do empreendimento, a profissionalização da gestão e a transformação de um antigo seminário numa referência de hotelaria familiar no interior do Rio.
Mas nenhum prêmio muda o que somos: um hotel simples, rústico e acolhedor, que carrega mais de oito décadas de histórias dentro dos seus muros — da saúde pública brasileira à formação religiosa, da colônia de férias às famílias que hoje enchem a fazenda de recreação, comida farta e memória.
O que essa história significa para quem chega aqui hoje
Quando você se hospeda no Santa Bárbara, está pisando num chão que já foi fazenda de café, já foi lar de um dos grandes nomes da saúde pública do Brasil, já formou seminaristas e já recebeu crianças em colônia de férias muito antes de receber a sua família. Talvez seja por isso que tanta gente que vem uma vez sente que “esse é o nosso lugar” — porque, de um jeito ou de outro, este sempre foi um lugar feito para reunir pessoas.
Em 2024, completamos 40 anos como hotel fazenda. A história começou muito antes de nós — mas o próximo capítulo, ora, esse é com a sua família.



